No programa de hoje, vamos explicar um fenómeno psicológico que afecta os homens.
A necessidade fisiológica.
Reparem como o macho humano não tem qualquer pejo em urinar, vulgo “dar uma mija”, onde quer que calhe, mas no que se refere a defecar, vulgo “ir cagar”, surgem-lhe algumas reticências. O acto de dar uma mija não implica qualquer esforço nem mesmo uma grande necessidade de privacidade. Por isso, quando dá um mija, o homem até sente um certo prazer e gozo em fazê-lo num local público, contra uma parede ou mesmo um muro. Aqui surge uma pequena diferença na mija. A mija em local público e a mija na casa-de-banho. Ora a mija em local público define-se pela tentativa de disfarce por parte do perpetrador, se bem que não deixa de existir um certo desejo de ser visto por alguém, de preferência mulher, para que se possa exibir. No local público, o ser urinante limita-se a expelir o amarelado (excepto em caso de estar bêbedo, aí é transparente) líquido e a despachar-se o mais rápido possível. Este procedimento implica o conhecido “pingo na cueca”, manchando-a de amarelo na região genital.
Já na casa-de-banho, o “bombeiro de ocasião” tem um comportamento mais solto e livre. Sabendo-se num local que é destinado para o efeito, solta a sua mija acompanhada de sons, do género “aahh…”, uuhh…”, ou até mesmo “aahh, caralho…”. Mas o que separa realmente esta mija daquela que é feita no local público é o acompanhamento. A mija na casa-de-banho não dispensa o belo e sonoro peido. Ao saber-se à vontade e dentro da lei, o homem que mija na casa-de-banho liberta todos os seus músculos, o que lhe permite desobstruir qualquer via de opressão aos gases. Fonte de enorme prazer, o peido simultâneo à mija é libertador e dá mesmo uma sensação de leveza e bem-estar pós-mija. Nem o facto de poder haver companhia no urinol é constrangedor, porque afinal estão todos na mesma situação e está definido no código masculino que o peido é sinal de masculinidade. O homem que não tem problemas em peidar-se à frente de outros, principalmente quando mija, é sem dúvida um homem sem preconceitos nem complexos acerca do seu corpo, o que o torna másculo.
O que realmente apoquenta o homem comum é a outra necessidade fisiológica diária.
O homem quando em grupo não tem qualquer problema em dizer “vou mijar” e desaparecer durante dois ou três minutos. Mas quando toca à bela cagadela a coisa pia de outra maneira. O homem que se ausenta para defecar não diz “vou cagar”. Não senhor. Neste caso limita-se a dizer “já venho” ou “aguenta aí cinco minutos”. Só em última instância e se questionado acerca da sua saída é que é possível que diga em sussurro, e apenas a quem fez a pergunta, “vou ali cagar”. O porquê deste mistério sobre a arte de arrear o calhau é ainda desconhecido dos nossos cientistas. Em público é totalmente impossível alguém cagar. Só com uma besuga nos cornos. E mesmo na casa-de-banho, existe uma envolvente de secretismo que ninguém põe em causa. O homem refugia-se sempre no cubíclo mais afastado da porta e reza, enquanto caga, para que ninguém o veja a sair. Mesmo quando entra na casa-de-banho decidido a cagar-se, se lá estiver alguém, disfarça e lava as mãos durante o tempo necessário até que esse alguém saia. Quando a coisa corre mal, o gajo que já estava na casa-de-banho mete conversa e faz questão de esperar por nós para continuar com a dita conversa. Aí tem que se passar ao plano B e mal saímos do WC dizemos “Epá, esqueci-me de uma coisa” e voltamos rapidamente sem dar hipótese se ser seguidos.
A conclusão possível é que a cagada é uma fonte de vergonha para o homem. Se por um lado (neste caso é o mesmo…) dar peidos é másculo, já cagar é motivo de privacidade. Será que o facto de nesse momento, o da cagada, se ter uma coisa cilíndrica a passar pelo rego é constrangedor para o macho comum? E mais, sendo esse momento de prazer, poderá o homem ser considerado roto? Mas a coisa sai num sentido contrário ao da sodomia. Será então a cagada um momento de paneleirice ao contrário? Questões que continuarão a atormentar a mente dos mais curiosos e também dos nossos cientistas.
Até ao próximo programa, eu sou o David Att….Eu sou o David.
Levar no cú é cagar ao contrário e vice-versa!!!
Afixado por: Quintanilha em novembro 7, 2003 09:51 PMGosto especialmente deste texto. De certa forma identifico-me com ele.
Mr.Metain
Afixado por: TR5 em novembro 6, 2003 09:31 AM«... destinado para o efeito ...»?
«... opressão aos gases ...»?
«... arrear o calhau ...»?
8,5 [De 1 a 10]
Afixado por: Senhor Doutor em novembro 5, 2003 07:31 PM